A grande questão não é o que fazemos ou as decisões que tomamos, mas sim o nosso porquê.

Eu sempre quis falar inglês! Me lembro de que era, inclusive, minha matéria favorita quando ainda estava no ensino fundamental. Mas, aqui no Brasil, não se aprende inglês na escola, menos ainda em escola pública. Então, por mais que eu me interessasse e estudasse em casa, não havia a mínima possibilidade de realmente me comunicar sem um cursinho extra de qualidade. Intercâmbio era um sonho distante que por vários motivos não cabia nos meus planos. Enquanto isso, via algumas amigas falando  inglês e sentia aquela pontinha de “inveja”, para ser bem sincera. No fundo, eu parecia meio que incompleta. Mas, por quê?

Naquela fase da minha vida, meu objetivo era ter um bom trabalho e não enxergava essa possibilidade sem colocar no meu currículo pelo menos: “inglês intermediário”. Terminei minha faculdade, consegui um trabalho em uma empresa onde o inglês não era essencial e segui. Cresci como profissional, mas toda vez que pensava em mudança de carreira e evolução, o fantasma do inglês voltava para me assustar. A maioria das vagas exigia inglês fluente e aquelas realmente interessantes tinham até entrevista em inglês. Antes mesmo de me candidatar eu já estava fora. Eu tinha um bom motivo para querer aprender inglês e ainda assim, a vida acontecia e eu deixava aquela vontade de lado. São tantas prioridades, não é mesmo?

Mas, o tempo passou, a vida mudou completamente. E no último ano, 2019, me vi dando um treinamento para 80 pessoas em uma Universidade da Nova Zelândia, renomada mundialmente, em inglês. Me lembro da sensação de preenchimento que eu senti. Acredito que somente naquele momento, quase 10 anos depois do dia em que pedi demissão e embarquei no meu intercâmbio, eu entendi o propósito de toda aquela trajetória. Eu tinha realizado um sonho de infância e a comunicação não era mais um problema. Fiquei orgulhosa não só daquele momento, mas de toda a trajetória que havia me levado até ali. Determinação e superação.

Diante de momentos tão incertos quanto o que estamos vivendo, fui questionada algumas vezes sobre o destino do intercâmbio, já que tudo caminha para o digital, as viagens estão restritas e as pessoas com medo de pessoas, e isso me fez pensar nos muitos porquês que aparecem durante nossas vidas, nas escolhas que fazemos, na importância que damos a cada vontade, a cada desejo e nas muitas desculpas que nos damos para não fazer algo. Refletindo sobre propósitos e o propósito do intercâmbio em si entendi que certas experiências realmente nos transformam de uma maneira bem mais profunda, nos moldam para sermos a pessoa que nos tornamos no presente.

No meu caso, foi como se me abrisse um novo olho, eu não tinha a menor noção de que o aprendizado e certificados que eu buscava eram apenas uma fração muito pequena de tudo que eu viveria. O intercâmbio é um canal para que possamos atingir objetivos maiores, é um dos muitos caminhos para nossa evolução interna, é uma demonstração de possibilidades em frente aos nossos olhos. Não somente pelo aprendizado/melhoria da língua, de uma matéria, um curso, um diploma no exterior, mas pela exposição ao diferente, pela vivência de culturas que não a nossa, pela situação de vulnerabilidade que nos colocamos, pela resiliência que ele constrói.

Se o propósito do intercâmbio fosse apenas fazer um curso eu seria a primeira pessoa a dizer que o mercado estava falido. Um curso de inglês, um mestrado, uma pós-graduação em Universidades internacionais de prestígio, você faz sem sair de casa. Porém a preparação, a viagem, as experiências, as amizades, as aventuras, a adaptação, formam um pacote de sentimentos e memórias que é impossível ser replicado, nem mesmo pela mais moderna realidade virtual. Ao final o que é o propósito do intercâmbio senão uma viagem para dentro de si mesmo. Adquirir conhecimento sim, mas fazer valer o tempo, construir memórias e viver sem apenas passar pela vida.

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