Ainda me lembro como se fosse ontem o dia que eu descobri minha gravidez. Claro que um dos motivos é porque meu filho foi muito desejado, mas também porque nossa viagem já estava com data marcada.Já tínhamos vendido carro, móveis e tínhamos data marcada para a minha pós graduação começar. 

O que fazer, então? Lembro que quando contei para os próximos que estava grávida uma das primeiras perguntas era: então vocês não vão mais para a Nova Zelândia? Na cabeça de muita gente a relação é muito simples e direta: com filhos não se faz intercâmbio. Ainda bem que todas elas estão erradas. Filho não significa que você não pode emigrar, em contrapartida, significa que você tenha que planejar um pouco mais. 

No nosso caso, eu optei em ter o meu filho no Brasil e vir quando ele completasse 6 meses. A razão principal foi que na Nova Zelândia (devido ao nosso tipo de visto) eu não teria direito algum a saúde pública e teria que arcar com todos os custos . No Brasil tínhamos plano de saúde e então a decisão não foi muito difícil. Nosso intercâmbio então foi adiado. 

Quando meu filho completou 6 meses, como planejado, nossa jornada para a Oceania começou. Lembro-me que na minha sala da pós graduação éramos 12 Brasileiros e todos eram casados e grande parte tinha filhos.  Na época (2018) a vantagem da pós-graduação era poder trazer a família (hoje apenas possível para os cursos de mestrado ou alguns específicos de pós-graduação). 

Pelo que meus colegas me contaram, quanto maior era a criança, mais difícil eram os primeiros meses de adaptação, principalmente na escola. Mas você que está lendo e pensa em vir pra cá não precisa desanimar. As crianças aprendem muito rápido e apesar de se sentirem muito frustradas no começo, em poucos meses já estavam falando um inglês melhor que o nosso e  estavam corrigindo a nossa pronúncia. Eles costumam ter classes especiais para alunos que vêm de outros países, onde as crianças ficam até se adaptarem. Hoje em dia vejo essas crianças conversarem em inglês entre si e a luta dos pais é fazer a criança falar o português. 

No meu caso em particular, acredito que meu filho não teve dificuldade alguma de adaptação pois ele ainda não falava e nem tinha uma ligação familiar ou de amizade pré estabelecidas – que ao meu ver são os dois grandes desafios para as crianças. Com certeza foi mais difícil para mim. A difícil decisão de saber que meu filho nunca saberá o que é um almoço de domingo na casa da vovó e que provavelmente não vai se sentir brasileiro. Meu filho hoje está com dois anos e meio e está começando a falar (as crianças bilíngues demoram mais para falar) e apesar de entender perfeitamente o idioma, ele fala apenas duas palavras em português: papai e banana

Minha mãe sempre fica desolada quando vê que ele só fala inglês. Então um dia, durante uma videochamada, ela ficou contente porque meu filho falou banana: está vendo, ele também fala banana – disse ela. Minha irmã, que estava perto, sem perceber,  desanimou a minha mãe ao dizer que a palavra tinha a mesma pronúncia tanto em português quanto em inglês. Tudo isso para mostrar que se você tem medo que seu filho não aprenda o inglês te aconselho a começar a mudar o seu medo, pois tem mais chance dele não querer falar o português do que não aprender o inglês.  

Eu acho que o que torna essa experiência delicada é que nos primeiros meses lidamos com muitas frustrações. Mas a boa notícia é que essa frustração se transforma em satisfação e orgulho. Eu me lembro o quão difícil foi a minha pós graduação. 

O sistema de ensino na Nova Zelândia é muito voltado para o self-learning (auto aprendizado). Não espere que o professor entre na sala e começa a te explicar o B+A= ba. 

A outra dificuldade que senti foi o fato de ter mudado totalmente de área. Deixei para trás o audiovisual e decidi estudar business. Foi a primeira vez na vida que fiz um projeto de pesquisa, pois o TCC da minha graduação foi o meu curta metragem – o qual ganhei um prêmio no festival de Cannes em 2011 (vou deixar o link aqui para quem quiser assistir https://vimeo.com/20531902).  Apesar de muito suor e lágrimas para esse projeto sair, no fim deu tudo certo e o meu projeto foi escolhido para  ser apresentado para acadêmicos de outras instituições. O dia que peguei o meu diploma me senti tão orgulhosa! 

Em termos de custos o que pesa mais é vir com crianças menores de 3 anos, pois aqui a escola só começa a ser gratuita realmente à partir dos 5 anos, apesar de ter subvenção do governo, aos 3 anos quando você começa a pagar metade do preço. Itens como fraldas, leite, roupas e brinquedos são muito mais baratos aqui. Claro que contando que você passará a receber em dólar. Um pacote de fralda aqui custa no máximo $15NZD e lembro-me que quando fui para o Brasil passar férias e relembrei o preço ( R$49 o pacote) eu fiquei chocada! 

Aqui tem muita atividade gratuita ou bem barata para se fazer com os filhos. Não vou mentir dizendo que saía horrores com o meu filho quando chegamos aqui porque não foi verdade. O ritmo de estudo era puxado e fiquei um ano trabalhando aos sábados. A boa notícia é que as coisas por aqui só tendem a melhorar. Cada ano que passa nossa qualidade de vida por aqui tem aumentado e finalmente consegui um emprego melhor e onde não trabalho fins de semanas. Todo começo é difícil , então precisamos ter paciência para esperar as coisas melhorarem e a boa notícia é que elas melhoram. 

Então, o meu conselho é: não tenha medo de vir com os filhos, não por eles porque no fundo eles se adaptam muito fácil. Tenha em mente que isso vai ser mais difícil para você do que para as crianças. Elas vão se sentir frustradas no começo mas com o tempo vão amar esse país. Guarde um pouco mais de dinheiro do que você guardaria se viesse sozinho, pois isso te dará mais segurança, mas se não for possível, não coloque isso como uma barreira para não vir. A palavra chave é planejamento essa é a chave do seu sucesso, que seja aqui ou onde for. 

Imigrar não é fácil e pode ser que seja o maior desafio que você enfrente na sua vida, porém, cada conquista terá um gosto especial e um prazer inexplicável de dizer: eu fiz isso, eu fui capaz, eu fui atrás do meu sonho e eu venci. E isso não tem preço! 

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