Um dos maiores receios daqueles que desejam estudar um curso acadêmico no exterior é sobre a qualidade do ensino e da instituição escolhida. Como todos sabem, estudar em outro país envolve um grande investimento financeiro e emocional, no qual a pessoa cria muitas expectativas sobre a nova experiência de vida. Logo, no momento do planejamento do intercâmbio e da escolha do curso, informações confiáveis e de qualidade são essenciais para tomar a decisão correta.

O foco deste texto não é falar especificamente de uma instituição ou um curso específico, mas sim compartilhar um pouco da experiência educacional que tive na Nova Zelândia, considerando as diferenças e semelhanças com o sistema educacional no Brasil e os pontos positivos e negativos que vivenciei.

O primeiro ponto a ser destacado é a diferença entre o sistema educacional da Nova Zelândia com o do Brasil. A divisão e nomenclaturas das qualificações podem causar confusões para aqueles que não entendem nada sobre o sistema de ensino da NZ. No meu caso, o curso que frequentei foi um Graduate Diploma (Level 7). Este nível de qualificação só pode ser cursado por aqueles que já possuem um Bacharelado no seu país de origem, sendo equivalente a uma Especialização no Brasil.

Então, ao planejar um intercâmbio acadêmico é fundamental buscar entender o sistema educacional do país que se tem interesse em estudar e ver quais as opções de estudo ofertadas para alunos internacionais. Uma agência educacional baseada no país de destino pode ajudar muito nesse sentido. Outro ponto importante ao escolher uma instituição é pesquisar sobre a reputação e imagem da mesma. Nesta era da internet, é muito mais fácil de acessar esse tipo de informação.

Além disso, é sempre interessante tentar conversar com ex-alunos da instituição para já saber um pouco como é a experiência de se estudar por lá. Esse contato ajuda a entender mais sobre a instituição e como serão os estudos e avaliações durante o curso. Ademais, o aluno consegue adequar suas expectativas dentro da realidade, estando preparado para as possíveis adversidades e consciente das exigências do curso.

Já durante o intercâmbio e com o início das aulas, pude perceber que o ensino e a dinâmica em sala de aula na Nova Zelândia têm diferenças significativas se comparado com o do Brasil. De maneira geral, as instituições na NZ são muitas vezes menores que no Brasil, com menos alunos, mas com infraestrutura muito moderna e completa. No país, existem três tipos de instituição de ensino: Universidades, Politécnicas (Institutes of technology and polytechnics – ITPs) e Instituições privadas (Private training establishments – PTEs). As universidades e maioria das politécnicas são voltadas para os alunos domésticos do país, investindo menos em alunos internacionais. Já as instituições privadas, de maneira geral, focam em opções de ensino para alunos internacionais.

Vale destacar que as universidades e politécnicas são instituições total ou parcialmente do governo. Porém, mesmo sendo instituições públicas, os alunos precisam pagar pelos seus estudos, diferenciando do ensino público brasileiro. As taxas para alunos domésticos e internacionais são sempre diferentes, com exceção dos alunos internacionais de doutorados, que pagam o mesmo que um aluno doméstico.

Em todas as instituições, o que é esperado do aluno dentro e fora de aula pode ser bem distinto do que estamos acostumados no Brasil. As aulas são consideradas apenas como experiência básica para o aluno iniciar a sua aprendizagem. É esperado que o aluno, além de comparecer às aulas, invista horas de self-study (estudo pessoal) e pesquisa, sem contar todos os trabalhos que terá que desenvolver e apresentar ao longo do curso. Esse fato também é geralmente esperado no ensino brasileiro, no entanto pude observar que na NZ ele é posto muito mais em prática.

No ambiente educacional neozelandês, os professores motivam e cobram mais dos alunos a realização de pesquisas pessoais e do aprofundamento do conhecimento iniciado em aula por conta própria, tendo que desenvolver habilidades de autodidatismo. Nesse sentido, é esperado que o aluno tenha a capacidade de aprender algo sozinho caso necessário, não ficando dependente da figura do professor. Este último assume mais a postura de um orientador, ajudando no processo de aprendizado. Mas depende totalmente do aluno o sucesso em seu curso.

Ao conversar com diversos estudantes brasileiros aqui na Nova Zelândia, muitos destacaram que o ensino neozelandês em sala de aula pode ser mais fácil que o brasileiro, mas que a quantidade de trabalhos e projetos a serem desenvolvidos durante o curso é muito maior na NZ. Por mais que as aulas em si não focam aprofundar muito o conteúdo, é exigido do aluno este aprofundamento pelo estudo e pesquisa pessoal e em quase todo momento do curso o aluno tem diversos trabalhos para desenvolver e apresentar. Logo, os alunos que não se dedicam fora da sala de aula terão muito mais dificuldade de acompanhar as exigências do curso. Assim, o profissional formado pelo ensino neozelandês acaba desenvolvendo habilidades de pro-atividade e autodidatismo durante o seu curso, tais habilidades que serão muito valorizadas no mercado de trabalho.

Ao estudar em uma instituição privada de ensino (PTE), voltada para alunos internacionais, um ponto negativo que encontrei foi que muitos alunos não estavam interessados no curso, estando ali apenas como uma forma de continuar no país legalmente. Esses alunos acabavam influenciando no desempenho da aula e nas possibilidades de ensino do professor. Esse fator também pode ter um grande impacto no desenvolvimento de trabalhos em grupo.

Dessa forma, o essencial é que o aluno se dedique durante o curso e demonstre para seus professores o interesse em aprender, independente dos colegas de classe que tenham objetivos pessoais diferentes. Com certeza, as oportunidades de sucesso para um aluno que se dedica serão maiores e diversas.

Sobre a instituição e nível dos professores em geral da Nova Zelândia, vale destacar que cada aluno terá suas críticas positivas e negativas sobre a instituição e gostará ou não de determinados professores. Logo, a adversidade e os desafios farão parte dessa experiência e dependerá do aluno como ele preferirá encarar e lidar com essas situações. Um ponto que observei foi que alguns professores mesmo com excelente conhecimento e domínio dentro do conteúdo ministrado, podiam ainda aperfeiçoar sua didática e métodos de ensino.

A relação em sala de aula é afetada diretamente pela grande diversidade cultural. Dessa forma, surge a necessidade de se pensar nas relações interculturais existentes, e como lidar com os possíveis conflitos derivados dessa interculturalidade. O professor é uma figura central neste manejo cultural. No entanto, alguns professores não têm o preparo profissional ou pessoal para lidar com tantas diferenças de costumes e crenças. Assim, a existência de estereótipos por nacionalidade e conflitos interculturais acaba sendo algo propenso a ocorrer.

Ao longo do curso, é de grande importância que o aluno repasse à instituição suas opiniões e críticas que possam contribuir para a evolução do ensino. Assim, a instituição poderá saber no que já está acertado e quais os pontos que deve melhorar. Toda instituição tem questões a trabalhar e potenciais de crescimento, e seus alunos são parte essencial para este crescimento ocorrer.

Concluindo, viver um curso acadêmico no exterior envolve muitos desafios e requer dedicação contínua. A dificuldade de se estudar e produzir trabalhos em outro idioma será também um desafio constante. Logo, escolher uma opção de estudo do seu interesse contribuirá diretamente para que o aluno não desista diante das cobranças do curso. O estudo acaba sendo uma atividade mais prazerosa, e a dedicação do aluno se torna uma consequência deste interesse pessoal.

Nesse sentido, para achar o curso mais adequado aos seus interesses e objetivos, a ajuda de uma agência educacional que é especialista sobre o sistema educacional e opções de estudo do país destino pode fazer toda a diferença. Portanto, pesquise muito sobre o país destino, as instituições e opções de cursos disponíveis dentro da sua área de estudo e profissional. Converse com um profissional que possa lhe orientar neste planejamento e busca de informações. Todos esses aspectos contribuirão para a segurança de uma experiência educacional de sucesso e de grandes retornos no futuro.

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By: Paula Spindler