Conseguir trabalhar na sua área de formação em um novo país, com uma língua diferente e sem experiência nenhuma, é um desafio com inúmeras chances de fracasso. Com muita perseverança, fé e determinação, em Junho de 2017 eu consegui meu primeiro estágio como desenvolvedor de software na Nova Zelândia, depois de oito meses estando no país.

Minha esposa e eu nos casamos em Setembro de 2016 e um mês depois embarcávamos para a Auckland na Nova Zelândia com apenas a passagem de ida.

Inicialmente viemos com o principal objetivo de estudo. Por intermédio da YepNZ, a Juliana se matriculou no cursos de inglês e eu no curso de Diploma Level 7 em Software Development. Possuindo o visto de estudo de um ano, tínhamos a permissão de trabalho part-time (até 20 horas por semana). 

Desde o primeiro dia de Nova Zelândia eu já saí à procura de um trabalho em minha área de formação (desenvolvimento de software). Eu sabia que não seria fácil, porque além de saber da limitação no inglês, que de fato não é a nossa língua mãe, eu tinha outro fator limitante: a pouca experiência na área de formação. Para contextualizar, no Brasil eu servi o Exército Brasileiro como Tenente Temporário por oito anos e durante esse período me formei em sistemas de informação, ou seja, eu não sabia programar de fato e nunca havia trabalhado como desenvolvedor de software.

Tendo a limitação da baixa experiência na área de formação, eu tracei uma estratégia: aceitar a primeira oportunidade de emprego que fosse, enquanto eu focava em aprimorar na parte técnica e na língua inglesa, estudava o diploma level 7 em desenvolvimento de software e assim, TALVEZ, no final do curso de 32 semanas, conseguiria um estágio na área. 

Foi assim que iniciei meu primeiro trabalho na Nova Zelândia como “General Labour” (auxiliar de construção) ainda nas primeiras semanas em terras kiwis. Ganhava o salário mínimo (minimum wage), que já era o suficiente para pagar nosso aluguel.. Confesso que o início foi bem doloroso, especialmente porque vivia uma realidade muito diferente no Brasil, no Exército comandava um pelotão de 35 homens, tinha sido formado para trabalhar sob pressão e enfrentar o caos. Foi talvez esse preparo psicológico que aprendi no Exército que mais me ajudou nas horas difíceis. Quando acordava às 5 horas da manhã num dia chuvoso para ir ao canteiro de obras que eu me perguntava: “o que eu estou fazendo aqui???”.

O desenvolvimento pessoal nessa fase foi uma experiência que hoje eu agradeço por ter vivido e, se não fosse pelo apoio da minha esposa, talvez eu não resistiria por tanto tempo. Lembro que ela costumava falar em inglês mesmo: “it is necessary sometimes to take one step backward to take two steps forward”, frase original de Vladimir Lenin. Também tiveram fases que trabalhei como entregador de comida e cleaner, nesse meio tempo eu continuava aprimorando meus conhecimentos no curso (desenvolvendo aplicações pessoais e acadêmicas) e aplicando para vagas de emprego na área de TI

Durante seis meses, eu apliquei para mais de 80 empregos diferentes e, no total, consegui uma entrevista, na qual eu reprovei no primeiro teste técnico. A frustração foi enorme, pois já estava a seis meses trabalhando na construção civil, estudando e me esforçando ao máximo para sair dessa situação que eu sabia que seria temporária.

Quando estava no projeto final do curso, eu tinha elaborado alguns projetos para meu portfólio pessoal e nessa fase já me encontrava aplicando para estágios não remunerados (unpaid internships). O curso já estava na fase final e para meu desespero, ainda me encontrava trabalhando com luvas, capacete e protetor auricular. Nada contra ao pessoal da construção civil, mas a minha expectativa era outra, eu estava lá por necessidade e não por vocação, eu sabia que essa área não era o meu lugar, algo melhor estaria por vir. 

Após oito meses de batalha, por intermédio do Linkedin eu consegui uma entrevista para um estágio de desenvolvimento de software. Dessa vez, a oportunidade era em Hamilton (130km ao sul de Auckland). Não hesitei por um instante e no outro dia eu já estava lá em Hamilton para a entrevista inicial. Agora, meia hora de conversa foi o suficiente para ouvir a seguinte frase: “gostamos do seu perfil e dos pequenos projetos que tens implementado no seu portfólio (GitHub, para os que entendem de programação). As tecnologias que você está usando no seu curso é bem similar às tecnologias que usamos aqui na empresa e assim, queremos te oferecer um estágio de 20 horas semanais”. 

Lembro que nesse dia eu fui sorrindo o caminho inteiro no ônibus de volta pra Auckland. Estando dentro de uma empresa de software, tive a oportunidade de me aprimorar no inglês e na tecnologia, tive excelentes mentores no qual hoje sou muito grato a eles. 

Após cinco meses de estágio consegui uma oferta permanente de trabalho (Permanent full time job offer – Junior Developer). Com essa oferta em mãos aplicamos para nosso residence visa em Dezembro de 2017. Após um ano e meio desde nossa chegada ao país, em abril de 2018 já éramos New Zealand Residents.

Assim iniciou-se nossa jornada na Nova Zelândia. Hoje após quase três anos aqui, eu continuo trabalhando na mesma empresa, minha esposa trabalhando para o Ministry of Vulnerable Children (Oranga Tamariki)  e agora temos um lindo filho de dois meses no colo, nosso baby kiwi, Eric.

Somos extremamente gratos à YepNZ que nunca falhou conosco desde o início do nosso planejamento ainda no Brasil, que sempre nos auxiliou nos processos decisórios de vinda para a Nova Zelândia e no suporte ao aluno já em terras Kiwis.

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