A pergunta do momento é: Será quando vou conseguir fazer meu intercâmbio? Muita gente ansiosa achando que o sonho pode acabar, muita gente negativa achando que acabou mesmo e muita gente oportunista incentivando pessoas a investirem dinheiro para viajar agora.

Toda vez que abro as redes sociais me deparo com inúmeras mensagens em grupos relacionados a intercâmbio. Perguntas comuns sobre o país, sobre a situação atual, sobre cursos, o dia a dia, etc. Mas, o que acho mais interessante são as respostas: Algumas sensatas, outras de gente despreparada e muitas vezes egoísta. De outro lado, lives em cima de lives, uma verdadeira enxurrada de informações que, no fundo, nos deixam sem saber se realmente ajudam ou se atrapalham diante do cenário mundial.

Como protagonista temos os aspirantes a intercambistas, aqueles que estão planejando fazer intercâmbio ou que sonham em realizar esse projeto de vida em breve. Cheios de dúvidas, curiosidades e buscando respostas. Querem saber se o momento é bom, se ainda dá tempo, se ainda sobrou algum emprego, se vale a pena investir as economias que guardaram nesse projeto de vida que foi simplesmente chaqualhado. Querem saber se conseguem deixar o Brasil, que neste momento se revela despreparado e desunido e onde uma crise na saúde, ao invés de reunir esforços para o bem comum, gerou uma crise política ainda mais forte.

Neste momento como coadjuvantes, as agências de intercâmbio continuam respondendo as perguntas, enviando orçamentos e dando apoio aos sonhadores para que esses não se deixem abater. Na sua maioria, estão sofrendo os efeitos da crise, sem renda (exceção aquelas que focam em venda interna em países onde muita renovação acontece), e ainda assim tentando executar o trabalho da melhor forma possível, ser fonte de informações e estar presente para não serem esquecidas quando tudo isso passar. Não, nem todo mundo vai quebrar, e não, profissionais não irão nunca sumir com seu dinheiro irresponsavelmente.

E no meio disso tudo, infelizmente, encontramos também os oportunistas. Pessoas sem integridade passando informações que são apenas especulativas como verdades, vendendo datas que ninguém sabe, e oportunidades irrealistas. Há também aqueles que não têm informações suficientes para eles próprios e posicionam-se como experts quando o assunto é do outro. Sempre têm uma opinião ou algo a dizer, mesmo que isso não acrescente em nada.

Diante de tudo isso, como saber o rumo a seguir?

Que tal sermos realistas?

Neste momento, não temos respostas. Eu não tenho resposta, você não tem resposta, o presidente não tem resposta e a rainha também não. O jeito então é aguardar, planejar para agir quando alguns pontos fundamentais estiverem mais claros.

Não existe a possibilidade de ninguém embarcar num intercambio agora. A maioria das fronteiras estão fechadas e, infelizmente, para nós  brasileiros, enquanto a situação no nosso país não for controlada acho difícil liberarem nossa entrada em outros países. Isso não significa que você tem que desistir ou parar de fazer planos e pesquisas. Pelo contrário, talvez este seja o tempo que você precisava pra colocar a vida em ordem, entender se é isso mesmo que você quer, se está preparado para se isolar por um tempo, de uma maneira diferente e, dessa vez, por escolha, analisar sua situação atual e projetar o que vai mudar quando você voltar.

Tudo isso sem esquecer que o mundo mudou e nada mais será como antes. Por agora é possível apenas sentir o que está por vir e imaginar o que será do mundo todo. As economias passarão por reestruturação, o desemprego já aumentou e a hora será de  reinvenção geral. Cada um a sua maneira, se movimentando em direção ao seu novo propósito.

E sobre aquela pergunta lá do início, de quando poderá embarcar para o seu intercâmbio, tem gente contando que com o embarque já em setembro e outros apostando que ninguém viaja antes de meados de 2021. Minha resposta é: não sei! São muitas variáveis a serem consideradas neste momento. Quando teremos um remédio ou uma vacina? Como foram os cuidados internos e quais são as ameaças externas?  O que acredito é que a recuperação econômica irá ocorrer inicialmente nos países que eliminaram o vírus primeiro e caberá a esses analisar as vantagens das integrações e também os riscos que um influxo de estudantes internacionais pode trazer.

Para os futuros intercambistas, vale lembrar que não é uma corrida, temos tempo, isso vai passar, mas também não podemos parar. É necessário que continuemos, um passo de cada vez, foco e olho na meta. Com paciência e determinação, tudo acontece ao seu tempo. O que conta agora, e o que podemos fazer, é olhar para o próximo com generosidade e manifestar nossa opinião com respeito. Cada um à sua maneira está vivendo sua própria tempestade.

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